quinta-feira, 17 de junho de 2010

NOVO HABITAT


Chegamos e habitamos um novo espaço!!!
Agora é no SATYROS 2, todas as sextas às 21:00hs
Como é a intenção desse espetáculo e já pelo próprio tema que o norteia, circularemos!
Sempre um novo local
Sempre um novo espetáculo
Sempre novos desejos
Venham integrar essa casa móvel!
Que essa passagem seja incrível!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010



Folias reestréia NUNZIO em curtíssima temporada

de 27 de março a 02 de maio
sábados às 21h e domingos às 20 h na sede da Cia do Feijão.

NUNZIO
De Spiro Scimone
Tradução de Jorge Silva Melo
Direção e Adaptação de Danilo Grangheia


Para onde ir?
Podemos dizer que essa pergunta foi a que mais nos acompanhou no processo de ensaios do “Nunzio”. Não somente no que diz respeito aos procedimentos do nosso ofício mas, principalmente, na extensão dos significados contidos na obra de Spiro Scimone. Foi exatamente aí, quando abraçamos de fato essa dúvida, que passamos a identificar com mais clareza o tamanho das nossas distâncias. “Nunzio” fala essencialmente sobre essas distâncias, distâncias que foram também gradativamente construídas tanto no plano afetivo quanto no plano geográfico e, como não poderia ser diferente, evolui para uma tentativa por vezes inconsciente de re-aproximação.
A peça foi originalmente escrita em dialeto de Messina; mas tanto no dialeto quanto na língua nacional o que se pretende, além da perda iminente da linguagem, é a descrição de um mesmo território...um lugar confinado e restrito ao qual chegam apenas “sinais” de um exterior.

Uma casa móvel e dois amigos.
Nunzio é um trabalhador da indústria química, debilitado e crédulo. Pino é o seu “home mate”, amigo que viaja constantemente e, pelo que tudo indica, um prestador de serviços ilícitos. Dois amigos imigrantes que vivem numa casa móvel que só ganha vida conforme a região e necessidade.
São esses os elementos /habitantes dessa tal “terra de ninguém”. Personagens que nada tem a oferecer além do que são. O que pode florescer na necessidade de não estar só? Talvez a solidariedade? Talvez o amor? Talvez o ciúme? A dependência, a chantagem, o medo, a astúcia???
Como aquele conto do Cortázar em que o personagem Gómez, um homem apagado e modesto, resolve comprar um metro quadrado de um terreno (não por gosto mas por ser tudo que podia gastar) no meio de dois grandes hectares. Todos perguntavam para que poderia servir aquele pequeno pedaço de terra. Gómez respondera: “(...) Os senhores parecem ignorar que a propriedade de um terreno se estende da superfície até o centro da Terra. (...)”.
Gómez, pela boa intuição ou astúcia, talvez tenha abarcado um ou dois barris de petróleo.
Já Nunzio e Pino, os dois amigos que também dividem o mesmo metro quadrado, estão somente ligados pela história de um lugar que possivelmente não existe mais. No entanto, essa idéia acaba virando o motivo dos possíveis confrontos implícitos entre os dois amigos...por um lado a tradição que se perde substancialmente e por outro,a tentativa de se criar um novo mundo. A partir daí o que se instala no cotidiano dessas duas figuras é um adiamento preenchido de silêncios e diálogos truncados, um vazio que sutilmente vai corroendo os dias e criando, assim, um embate subterrâneo de tensões que se traduz em cena em momentos tragicômicos de grande humanidade.

Matéria Antiga Temporada - 1

Matéria Antiga Temporada - 2

SOBRE SPIRO SCIMONE:

Nasceu em 1964 em Messina, Sicília. Estudou numa escola de teatro em Milão e, juntamente com o seu colega Francesco Sframeli, representou Beckett, Mrozek e Havel. Em 1994 escreveu a primeira peça, Nunzio, que enviou ao encenador Carlo Cecchi. Foi a partir desse encontro que começou a sua companhia própria e a escrita de peças “não por ter necessidade de escrever”, diz ele, “mas para imaginar uma partitura, um material que possa ser possuído pelo corpo, a alma e a voz até obter uma língua de teatro”. A Nunzio (que em 2001 adaptou ao cinema com o título Due Amici, tendo vencido o Leão do Futuro no Festival de Veneza 2002), seguiram-se Café e A Festa. Spiro Scimone esteve presente no Festival de Almada 2002 a convite dos Artistas Unidos e com o apoio do Instituto Italiano de Cultura. Regressou em 2003 com a sua produção de La Festa. A versão portuguesa de A Festa foi estreada pela Tá Safo em 25 de Julho de 2003 no Citemor e abriu a 11 de Setembro de 2003 a temporada dos Artistas Unidos no Teatro Taborda. Il Cortile (O Saguão) foi estreado em 6 de Setembro de 2003 em Gibbellina com encenação de Valerio Binasco, cenografia de Titina Maselli, luz de Beatrice Ficalbi e interpretação de Francesco Sframeli, Spiro Scimone e Nicola Rignanese e apresentado no Teatro Taborda em Abril de 2005.
O FOLIAS/ EXODO- O HOMEM CORDIAL/ NUNZIO
Sobre o Projeto:

O Projeto do Folias Êxodo Homem Cordial - aponta para dois caminhos:
Um que diz respeito a um eixo temático - que tem como centro o indivíduo, o órfão do processo de exaustão das estruturas sociais, notadamente a organização política do Estado. O indivíduo como potência é, paradoxalmente, o “homem cordial”;
E outro que diz respeito ao eixo formal – privilegiando nessa etapa do trabalho a reflexão, o estudo, o esmiuçamento dos processos de ESCRITA CÊNICA, tendo pois como vetor a encenação.

A dramaturgia, a interpretação, voltam-se para a tentativa de compreensão dos procedimentos de encenação, além das atividades de reflexão propostas pelo Grupo
assim, os seminários e os trabalhos de socialização de experiência, aos modos do já feito, por exemplo, no Querô, do ponto de vista da interpretação, voltam-se para a “Escritura Cênica”.

No que diz respeito especificamente à cena em si o FOLIAS se dedicará a criar núcleos de trabalho em número de não menos que quatro e não mais que sete, cada um desses trabalhos resultando em uma encenação a ser proposta considerando a potência do indivíduo com seu “homem cordial” como temática e forma – modo de produção.

A investigação passa a ser a do indivíduo plantado em terra estranha, mesmo que seja a sua. Do ponto de vista do cidadão, a compreensão da condição de individuo desterritorializado, exilado, e a atitude de escolha ante o caminho (em tese) de mão única: seguir adiante “na cordialidade” conformadora desta “aldeia global” ou recriar simbolicamente seu território, buscando caminhos alternativos, ainda que marginais.

"Um faz o outro a maneira da celebre frase de Churchill : primeiro fazemos nossas casas, depois elas nos fazem... a idéia de tribo, povo, nação e depois de estado nacional decorre dessa relação tornada profunda."

Nunzio, com direção de Danilo Grangheia será o primeiro trabalho a estrear a partir dos núcleos de investigação criados para o estudo da Escritura Cênica e do Homem Cordial.